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Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Rallidae
 Rafinesque, 1815
Espécie: A. concolor

Nome Científico

Amaurolimnas concolor
(Gosse, 1847)

Nome em Inglês

Uniform Crake


Estado de Conservação

(IUCN 3.1)
Pouco Preocupante

Fotos Sons

Saracura-lisa

A saracura-lisa é uma ave gruiforme da família Rallidae.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (grego) a + mávro = negro/preto; e limni = do lago; e do (latim) concolor = com uma única cor, colorido uniforme, liso. ⇒ (Ave) negra uniforme de lagos ou (ave) do pântano lisa.

Características

Mede cerca de 24 centímetros.

Apresenta a plumagem castanha em dois tons, sendo mais escura no dorso e alto da cabeça, e mais avermelhada no ventre, peito e garganta. Sua plumagem pode apresentar uma leve iridescência opaca em certos ângulos. Possui os olhos vermelhos escarlate, bico amarelo pálido esverdeado e patas vermelhas.

Vocaliza pouco durante o dia, passando muitas vezes despercebida. Ave pouco arisca mas de difícil visualização, passa boa parte do tempo escondida entre emaranhados de galhos e raízes do sub bosque sombrio de seu habitat.

Os filhotes nascem com a coloração totalmente preta e vão perdendo essa característica com a idade. Os jovens tem coloração semelhante ao dos adultos, mas apresentam bico, olhos e patas escuros.

ESPÉCIE SEM DIMORFISMO SEXUAL

Alimentação

Tem hábito de enfiar seu bico no solo úmido em busca de invertebrados (minhocas, larvas, insetos, etc), esta ação costuma deixar seu bico sujo com lama. Também captura pequenos vertebrados como anfíbios e lagartos.

Possivelmente pode se alimentar de outros pequenos animais como peixinhos, girinos, ninfas de libélula ou ovos de moluscos.

Reprodução

Constrói seu ninho em forma de taça a 1 metro de altura do solo em meio à vegetação densa, chocando 4 ovos creme, manchados de marrom e tons purpúreos. Os filhotes são miudinhos , de coloração preta levemente acinzentada .

Hábitos

Ocorre na borda de matas primárias e secundárias e em brejos , capoeiras e principalmente no interior de mata fechada , em córregos margeados por bambuzais e helicônias, e também em restingas e mata paludosa. . Sua vocalização é um pio agudo ascendente , semelhante a um assobio ( piiíí , piiíí , piiíí ), repetido várias vezes ,repetição essa que dura poucos segundos . É comum que um indivíduo cante sozinho e outros ao redor cantem em seguida . Costumam cantar sempre no mesmo horário , ao entardecer e ao amanhecer , porém podem ser ouvidos durante a noite e até de madrugada .

Observações pessoais por Henry Miller Alexandre

“É uma ave considerada como arisca, porém tolera a presença humana próxima , desde que o observador esteja bem camuflado ou parado , permitindo boa aproximação . Pode passar bem próximo do observador sem que este a veja . Mesmo sendo muito arisca , é bem curiosa , chega a subir em galhos e árvores tombadas para espreitar o que acontece em seu território , podendo então ser vista e registrada . Numa vez , eu estava sentado na serrapilheira e tentava imitar com um assobio o canto da Juriti (Leptotila rufaxila) , e curiosamente uma saracura-lisa escalou um caule tombado e me espreitou por alguns segundos , fugindo quando tentei sacar a câmera.

Caminha quase sempre entre galhos tombados e raízes e só se expõe ao alimentar ou “atravessar” para o outro lado . Sempre observei ela forrageando no leito sem água (mas úmido) de poças temporárias , deixando o solo revirado . Raramente voa , até o momento só observei voos curtos , apenas entre o solo e o poleiro ou entre dois troncos tombados .

Responde bem ao canto da espécie e também à playback . Em três anos que tive contato com esta espécie, praticamente no quintal de casa , percebi que costuma vocalizar mais no fim de Julho e início de Agosto , o que pode indicar período reprodutivo. Neste período responde imediatamente ( quase que desesperadamente !) a qualquer forma de seu canto , inclusive por assovios simples . Interessante que logo após essa época , elas ficavam num período de silêncio , não respondendo à playbacks , nem cantando nos fins de tarde, período que vai até o início de Janeiro .

Observei um indivíduo na “divisa” entre o manguezal e a restinga pantanosa , na Praia da Fazenda , Ubatuba/SP , Janeiro de 2016.

A saracura-lisa , apesar de muito difícil de observar , pode viver em áreas urbanas muito próximas de casas , desde que haja trechos preservados de seu habitat , tolerando certa ação antrópica em seu habitat . Morei no bairro Estufa 2, em Ubatuba-SP ,e eram comuns na mata logo aos fundos de casa , podendo ouvir sua vocalização nos fins de tarde , geralmente após as 17:30 hs . A região hoje tomada por casas e ruas em expansão desenfreada ,foi há anos atrás uma área de brejos de restinga e mata paludosa , e que aos poucos com o crescimento urbano foi perdendo seu território , restando atualmente pequenos fragmentos , já em sua maioria tomados por lixo e esgoto , além de sofrer com o desmatamento causado pelo avanço imobiliário irregular .

Distribuição Geográfica

Referências

Galeria de Fotos